DBK News

O valor da minha concessionária mudou depois da eleição?

Quem acompanha de perto a Bolsa de Valores pode ter tido essa impressão.

Desde a sexta-feira antes do segundo turno, o Ibovespa caiu cerca de 15%, com direito ao primeiro circuit breaker desde 2020. O número assusta, mas conta só metade da história. Entre o fim de setembro e a véspera do segundo turno, embalada pelas pesquisas e pelo resultado do primeiro turno, a bolsa tinha subido mais de 10%. Mais relevante: o mercado havia precificado juros em queda. Com o resultado das urnas, devolveu o ganho, e o Ibovespa voltou ao patamar de agosto.

Ou seja, o mercado não reagiu a um aumento da incerteza. Reagiu a uma certeza: a leitura predominante é de continuidade na condução da economia e, com ela, juros altos por mais tempo.

E por que os juros mexem tanto com o valor das empresas, inclusive da sua concessionária?

Porque todo negócio é avaliado, formalmente ou não, pelo caixa que vai gerar no futuro, trazido a valor presente por uma taxa de desconto. Juros maiores, taxa maior, valor menor. O próprio múltiplo de EBITDA usado para avaliar concessionárias (ou o múltiplo de blue sky, como nos EUA) embute a taxa de juros do mercado. Juros maiores, múltiplos menores.

E a Automob, única empresa do setor listada na B3? A grande diferença pode ser resumida na alavancagem. Quem opera alavancado, quando os juros sobem, perde nas duas pontas: o caixa futuro vale menos e a dívida fica mais cara.

O último balanço mostra a conta. Em junho, a Automob tinha R$ 2,0 bilhões de dívida líquida, sem contar o floor plan. Antes do primeiro turno, suas ações valiam cerca de R$ 455 milhões na bolsa; hoje, cerca de R$ 326 milhões. Somada a dívida, o valor da empresa como um todo passou de R$ 2,46 bilhões para R$ 2,33 bilhões, uma queda de apenas 5%. Como a dívida não muda com o pregão, a perda inteira ficou com o acionista: 5% no negócio viraram quase 30% na ação. É matemática, não juízo sobre a gestão, que vem entregando resultados operacionais melhores a cada trimestre.

E para quem pensa em vender ou comprar?

O valor da sua concessionária não subiu 10% em outubro nem caiu 15% nesta semana. Empresa não listada não tem preço na tela todos os dias. O que sustenta valor numa negociação é resultado recorrente, força da bandeira, localização, perspectiva da marca e um balanço saudável. Juros pesam no múltiplo, mas compradores estratégicos tomam decisões com horizonte de anos, não de pregões ou pelo resultado de uma eleição.

Por fim, vale ter perspectiva. O Brasil já passou por hiperinflação, confisco de poupança, crises cambiais, incontáveis recessões e recentemente por uma pandemia. Os titulares da distribuição automotiva foram forjados nessas crises, e foi nelas que os grandes grupos de hoje prosperaram.

O valor da tela pode ter mudado. Mas, para quem enxerga longe, os bons negócios continuam surgindo.

#concessionárias #valuation #mercadoautomotivo

Sign up for our newsletter
Receive a newsletter about the dealership market in Brazil.

DBK Dealership Brokers

Let´s Talk?

Av. Getúlio Vargas, 874/ Sala 1707 - Funcionários - Belo Horizonte/MG - CEP: 30112-020.

en_USEN